domingo , setembro 24 2017
Home / Últimas Notícias / Lula reencontra Moro após condenação na Lava Jato e acusações de Palocci

Lula reencontra Moro após condenação na Lava Jato e acusações de Palocci

Quatro meses após primeiro depoimento, ex-presidente volta a ficar frente a frente com o juiz às 14h em Curitiba; acusações de ex-ministro pesam contra o petista em ação da Lava Jato sobre compra de terreno para o Instituto Lula.

 

Lula durante seu primeiro depoimento a Moro; Palocci repetiu feito de Duque ao fazer acusações na véspera de audiência. Reprodução.
Lula durante seu primeiro depoimento a Moro; Palocci repetiu feito de Duque ao fazer acusações na véspera de audiência. Reprodução.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reencontra nesta quarta-feira (13) o juiz Sérgio Moro em depoimento marcado para começar às 14h na sede da Justiça Federal em Curitiba. O interrogatório se dá no âmbito de ação penal que apura se a compra de um terreno supostamente destinado à instalação da sede do Instituto Lula em São Paulo e de um apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foram contrapartidas oferecidas pela Odebrecht em troca de vantagens em negócios com o governo federal.

Essa será a segunda audiência de Lula frente a frente com o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. O primeiro interrogatório ocorreu quatro meses atrás, no dia 10 de maio, quando o petista passou quase cinco horas respondendo sobre a compra e reforma pela OAS de um tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo. O ex-presidente acabou condenado a 9 anos e 6 meses de prisão nesse processo – sentença que foi contestada pela defesa no início desta semana no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Um forte esquema de segurança foi organizado para evitar confrontos entre apoiadores e manifestantes contrários ao líder petista. Espera-se que até 5.000 pessoas ocupem as ruas da capital do Paraná em atos marcados para ocorrer ao longo do dia.

Lula é acusado nessa ação penal de ter cometido crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos episódios envolvendo a compra do terreno na Vila Clementino, na zona sul da capital paulista, e de um apartamento em frente ao imóvel onde ele próprio mora, em São Bernardo do Campo. A força-tarefa de procuradores da Lava Jato acredita que foram pagos R$ 12,4 milhões em vantagens indevidas ao petista.

Palocci é o novo Renato Duque

Além das acusações contidas na denúncia entregue pelo Ministério Público Federal, Lula também deverá se explicar a respeito das revelações feitas pelo ex-ministro de seu governo Antonio Palcci, que também é réu nessa ação penal da Lava Jato (assim como Marcelo Odebrecht e outras cinco pessoas).

O ex-chefe da Fazenda nos governos Lula e Dilma relatou em depoimento prestado na última quarta-feira (6) que houve um “pacto de sangue” entre o Partido dos Trabalhadores e a Odebrecht . Esse “pacto” envolvia, nas palavras de Palocci, “um presente pessoal, que era um sítio, um prédio de um museu pago pela empresa, palestras pagas a R$ 200 mil” e uma “reserva de R$ 300 milhões que foram sendo disponibilizados com a planilha entregue pela empreiteira”.

Preso desde setembro do ano passado na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, Antonio Palocci é acusado de ter atuado de maneira “intensa e reiterada” na “defesa de interesses da Odebrecht na administração pública federal envolvendo contratos com a Petrobras”.

Em nota, a defesa de Lula classificou as acusações de Palocci como “contraditórias” e reafirmou que o petista “jamais cometeu qualquer ilícito nem antes, nem durante, nem depois de exercer dois mandatos de presidente da República”.

O cenário de agora é semelhante ao da véspera da primeira audiência do ex-presidente com o juiz Sérgio Moro . Naquela ocasião, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque resolveu disparar contra Lula dias antes do depoimento do ex-presidente sobre o caso tríplex. Assim como Palocci, Duque se encontrava preso há tempos, mas só decidiu implicar o petista pouco antes do encontro de Lula com o juiz da Lava Jato.

Disputas começaram meses antes do depoimento

O interrogatório desta tarde está marcado desde julho e, de lá para cá, já foi motivo de uma série de ‘embates’ entre Lula e Moro. O magistrado inicialmente pretendia que o depoimento fosse prestado via videoconferência, justamente para evitar a mobilização de todo o aparato de segurança montado nos arredores da sede da Justiça Federal em Curitiba. A defesa do petista chiou e conseguiu manter a audiência presencial.

Os advogados de Lula também pediram, mais uma vez, autorização para filmar o depoimento por conta própria, o que foi negado por Moro. O juiz da Lava Jato também rechaçou pedido para adiar o interrogatório, solicitação feita pela defesa sob o argumento de que o Ministério Público Federal (acusação) juntou ao processo uma série de documentos sem que houvesse tempo hábil para os advogados de Lula analisarem.

 

Fonte: Último Segundo.